Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas de Almeida Filho

Capitulo VIII

 Como avalia um professor que começa a ensinar língua estrangeira num contexto comunicativo.

Emiliana Martinez, Nidia Santos, Ruth Herrrera[1]

Resumo:

O livro é destinado a professores e pesquisadores que acreditam no potencial formativo e na experiência de aprender línguas estrangeiras na escola. Foi escrito com a perspectiva de apresentar uma crítica produtiva ao ensino comunicativo no atual cenário de ensino de línguas.

Abstract:

Este libro se encuentra destinado a profesores e investigadores que creen en el potencial formativo y en la experiencia de aprender lenguas extranjeras en la escuela. Fue escrito con la perspectiva de presentar una crítica productiva a la enseñanza comunicativa en el actual escenario de enseñanza de lenguas.

Palavras-chave: avaliação, enfoque nocio funcional, resultados.

  1. 1.                       Epigrafe:

Primeira obra autoral no Brasil a tratar da abordagem comunicativa, o livro Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas, escrito por José Carlos Paes de Almeida Filho, é publicado em Campinas em 1993. Observando a necessidade de compreender melhor o novo paradigma de ensino e pesquisa comunicativos, esta obra é oferecida ao público no intuito de “contribuir à exploração de bases e caminhos de ação de professores e pesquisadores que acreditam no potencial formativo da experiência de aprender novas línguas na escola.”.

Leia mais: ALMEIDA FILHO. J.C.P. Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas. Campinas, SP: Editora Pontes, 1993.

  1. 2.                       Conteúdo:

Ao tratar do assunto Avaliação num contexto comunicativo, o autor apresenta uma interessante experiência de ensino de língua estrangeira fora do país em meados dos anos 80. Ele investigou como um grupo de professores com formações variadas realizavam a avaliação de aprendizes adultos dentro de um contexto de ensino que não priorizava a abordagem gramatical. Desenvolver um trabalho como esse nos faz (re) pensar o quanto ainda temos de aprender se queremos ensinar de maneira comunicativa. Trata-se de uma práxis com grandes desafios. [2]

Desde o enfoque nocio-funcional: forma de organizar o currículo de aprendizagem das línguas ou método de ensino. Em um programa nocional-funcional, o ensino não é organizado em torno de estruturas gramaticais, como tinha sido feito com o método áudio-lingual, mas baseia-se em termos de “noções” e “funções”. Neste modelo, o “conceito” refere-se ao contexto no qual as pessoas se comunicam, enquanto a “função” é a intenção específica de alto-falante em um determinado contexto.

Dados e procedimentos:

Questionário contendo duas perguntas aplicadas a professores de LE duma escola pública de refugiados do sudeste asiático, nos Estados Unidos. Logo uma entrevista.

  • Pergunta 1: Se a avaliação era percebida como um problema.
  • Pergunta 2: Tipos de avaliações e frequência.

As respostas coletadas foram comparadas com publicações dos autores: Morrow (1979) Caroll (1980) e Wesche (1983)

As principais características teóricas de avaliações comunicativas poderiam ser colocadas nos seguintes termos:

a) os instrumentos de avaliação devem ser capazes de produzir ação comunicativa concreta “o que o aprendiz é capaz de fazer”.

b) Finalidade e Necessidade da linguagem.

c) As tarefas e recortes comunicativos devem permitir “imprevisibilidade”.

d) A avaliação será mais qualitativa do que numérica.

Resultados:

Os professores não utilizavam formatos antigos de testes gramaticais, também não utilizavam testes formais de desempenho comunicativo.

Adotavam procedimentos de avaliação que mostrasse o progresso dos alunos em termos de capacidade funcional comunicativa e não em termos de formas (gramaticais).

O 75% considerou que a avaliação num enfoque comunicativo deve seguir sendo pesquisada.

A Avaliação da Proficiência Linguística do Professor de LE

Diante da diversidade dos cursos de formação de professores de línguas no Brasil, é pertinente refletir sobre como definir o perfil do profissional qualificado, quais mudanças são necessárias e como alcançá-las. De acordo com Bachman (1990), testes de língua podem ser utilizados principalmente para as funções de: a) a partir dos seus resultados, apresentar informações para que decisões sejam tomadas dentro de um contexto educacional e b) servir como indicadores de habilidades de interesse para pesquisas na área de ensino e aprendizagem de línguas.

Testes ou exames2 de proficiência em LE são desenvolvidos com o intuito de avaliar necessidades reais de uso da língua em contextos diversos. Assim, um teste não avalia somente a proficiência na língua como algo estanque e distinto da competência comunicativa. A avaliação da proficiência do professor envolve avaliar a competência comunicativa necessária para a situação de ensino da LE, seja para uso oral ou escrito. A avaliação da proficiência oral, especificamente, torna-se de fundamental importância para o ensino de línguas para a comunicação, visto que usar a língua apropriadamente em diferentes contextos é o objetivo almejado pela maioria dos aprendizes de línguas em um mundo globalizado.

A fim de melhor explicitar o que seja proficiência linguística e quais as maneiras de avaliá-la, é necessário que, primeiramente, se defina o que se considera como proficiência. S caramucci (2000) afirma que a diversidade de concepções acerca do termo “proficiência” se dá devido às diferentes noções de língua e linguagem existentes na literatura. Assim, ela busca resolver a confusão terminológica em relação a tal termo. O conceito de proficiência, para a autora, pode ser visto como “o resultado de um processo de aprendizagem, uma meta” (p. 12); assim, este pode ser utilizado na definição de padrões a serem avaliados em exames e testes. Contudo, essa visão dá espaço a interpretações inadequadas sobre como avaliar a proficiência eficientemente. Para evitar tais interpretações errôneas, a autora faz a distinção entre o uso técnico e o uso não técnico do termo, a fim de estabelecer noções mais precisas sobre a concepção de “proficiência”.

O uso não técnico refere-se a visões holísticas ou julgamentos impressionistas, como a noção de que ser proficiente significa ter conhecimento, domínio, controle, capacidade, habilidade, o que pressupõe a imagem do falante nativo ideal, possuidor de uma proficiência monolítica, estável única. De acordo com esse conceito, a autora propõe uma escala dividida em quatro níveis (0, 1, 2 e 3), os quais representam falantes nível 0, fraco ou nível 1, bom ou nível 2, e proficiente ou nível 3. Nessa escala, haveria a distinção entre ser proficiente e não ser proficiente, sendo proficiente representado apenas pelo nível 3.

Por outro lado, o uso técnico seria o mais adequado para o contexto de avaliação de LE e é assumido como definição de proficiência para o teste oral em questão neste trabalho, pois é representado por uma escala que coloca, da mesma forma, quatro níveis, porém os níveis apresentam referências relativas, ao contrário do conceito absoluto da escala anterior. Os quatro níveis representam proficiência, embora os níveis 0, 1 e 2 sejam menos proficientes que o nível 3. Desse modo, o uso técnico possibilita falar em proficiência para situações diferentes de uso da língua. A proficiência do professor de ILE seria estabelecida principalmente pelo domínio da metalinguagem, essencial para o ensino da língua. S caramucci (2000) discute ainda a diferença entre os termos habilidade, o qual estaria mais relacionado aos processos de uso da língua, e competência, relacionado a certo estado de conhecimento linguístico. Baseando-se nas discussões levantadas pela autora, é possível concluir que proficiência é a habilidade pela qual um falante tem de utilizar sua competência linguística, definição também compartilhada por Taylor (1988).

Elder (2001), por sua vez, afirma que professores de línguas necessitam de habilidades específicas que incluam o domínio da terminologia e da metalinguagem dos conteúdos a serem ensinados, além da competência discursiva para o tratamento desses conteúdos em sala de aula. Dada a inseparabilidade entre proficiência e habilidades didático-pedagógicas, é imperativo que um teste para professores de LE avalie a habilidade geral para uso da língua oral, aliada a habilidades didático-pedagógicas. Tais características da atuação do professor de línguas podem ser avaliadas em testes de desempenho (performance tests), uma vez que estes apresentam tarefas desenvolvidas de forma que o candidato atue em situação simulada similar ou idêntica à situação real na qual ele atuará. Assim, o tipo de linguagem produzido pelo falante nesse teste condiz com o tipo de linguagem a ser utilizado em uma situação futura da vida real (future real-life situation, expressão usada por Fulcher, 2007), nesse caso, uma situação de sala de aula.

Para Scaramucci (1995), em testes de desempenho, é necessário que o falante tenha mais do que conhecimento da língua para ser bem-sucedido. O sucesso será medido pelo desempenho nas tarefas presentes em um teste ou exame para fins específicos, tal como define Douglas (2000): Um teste para fins específicos é aquele em que o conteúdo e os métodos são derivados de uma análise de uso específico da língua-alvo em determinadas situações, de forma que as tarefas do exame e o conteúdo sejam representantes autênticos de tarefas na situação-alvo, permitindo, por um lado, uma interação entre a habilidade linguística do candidato e o conhecimento do conteúdo de uma situação específica e, por outro lado, as tarefas do exame. Tal exame permite-nos fazer inferências sobre a capacidade de o candidato usar a língua em domínios específicos (p. 19: tradução nossa).

Testes ou exames para fins específicos são justificáveis para usos profissionais dadas particularidades e especificidades do tipo de linguagem utilizada pelo profissional, dependendo da situação de uso. Dessa maneira, um teste ou exame específico para professores de LE pode ser útil para as escolas ou instituições educacionais basearem suas escolhas, já que, dentre os exames já consagrados no mercado, não há ainda nenhum que tenha sido desenvolvido especialmente para o contexto de ensino de línguas no Brasil.

  1. 3.                       Conclusão:

Dentro dos procedimentos de avaliação dos próprios professores de LE revelaram quatro traços distintos sobre aviação comunicativa:

1)                      Mais do que as habilidades ou conhecimentos é preciso avaliar o desempenho.

2)                      São procedimentos mais quantitativos e holísticos (totais) do que formas quantitativas de avaliação de pontos isolados.

3)                      Confrontar ao aprendiz com situações reais, exigindo capacidades comunicativas.

4)                      Avaliar em termos de conceitos não de números que indiquem o que o aprendiz pode ou não fazer.

Desafíos

  • Novas ideias e procedimentos no âmbito metodológico: técnicas, recursos para apresentar, praticar e usar a nova língua.
  • Construir avaliações complexas orais e escritas por professores já no exercício profissional.

 

  1. 4.                       Referências:

 

  • · Avaliação da proficiência do futuro professor de língua estrangeira e implicações para os cursos de formação de professores no Brasil
  • · Henrich de Barba, Clarides. Orientações básicas na elaboração do artigo cientifico.

 

 

  • · Resenha do livro de Almeida Filho, J.C.P Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas.Campinas. Pontes Editores, 1993, realizada por Gomes Alcione; Aragão Melo Francis; Vieira da Rocha Ribeiro Lilian.


[1] Estudantes de 4° ano da carreira Professorado de grado universitário em Português. FFYL. UNCUYO.

[2]

 Resenha do livro de Almeida Filho, J.C.P Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas.Campinas. Pontes Editores, 1993, realizada por Gomes Alcione; Aragão Melo Francis; Vieira da Rocha Ribeiro Lilian.

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5 pensamentos sobre “

  1. Achei o artigo muito interessante : Seria bom que a gente pudesse aprofundar neste tema, para poder conhecer mais sobre avaliações de processo e as de um teste de proficiência, o primeiro para os cursos e o segundo para preparar alunos para o CELPE

  2. Achei o artigo muito interessante : Seria bom que a gente pudesse aprofundar neste tema, para poder conhecer mais sobre avaliações de processo e as de um teste de proficiência, o primeiro para os cursos e o segundo para preparar alunos para o CELPE
    Laura López Vargas

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