Dimensões Comunicativas no Ensino de Línguas de Almeida Filho

Outros autores:

De acordo com Antunes (2002, p.9), “a avaliação é a coleta sistemática de evidências por meio das quais se determinam mudanças que ocorrem nos alunos e como elas ocorreram.” O avaliar pressupõe a emissão de um julgamento de valor ou mérito, para se examinar os resultados educacionais propostos, a fim de se saber se preenchem um conjunto particular dos objetivos educacionais.

 

Para Hoffmann (1994), o professor junto ao aluno deve buscar coordenar os seu pontos de vista sobre o processo, trocando idéias, no sentido de obter uma ação avaliativa reflexiva e desafiadora, que vá

contribuir elucidar e favorecer a troca de informações entre e com seus alunos, para se chegar não a uma avaliação reprodutivista, mas significativa.

 

Luckesi (1994) aborda a seguinte assertiva sobre a avaliação educacional: (…) a avaliação educacional, em geral, e a avaliação da aprendizagem escolar, em particular, são meios e não fins em si mesmas, estando assim delimitadas pela teoria e pela prática que as circunstancializam.(…) a avaliação não se dá nem se dará num vazio conceitual, mas sim dimensionada por um modelo teórico de mundo e de educação,

traduzindo em prática pedagógica. (p.38)

 

Pela visão desses autores, nota-se que o processo de avaliação está nitidamente comprometido com o processo de ensino/ aprendizagem. De acordo com a abordagem e os procedimentos teóricos e metodológicos do professor é que será averiguada a eficácia e o porquê da avaliação. Como Luckesi (1994) enfatiza, a avaliação é dimensionada pelo teórico. Assim, o professor, ao utilizar uma abordagem comunicativa no ensino de línguas, deverá lançar mão de recursos e estratégias que avaliem e verifiquem, durante o próprio processo de aprendizagem, como se dá e de que forma se constrói a competência oral adequada à proficiência de uma determinada língua.

Scaramucci (1999/ 2000), nesse sentido, também ressalta a avaliação como um papel integrador entre o ensino e a aprendizagem. A autora afirma que, mesmo em abordagens contemporâneas como as ditas comunicativas, que se voltam mais para o aluno, observa-se que, embora este seja considerado, sendo consultado para definição dos objetivos, materiais, conteúdos e metodologias, na avaliação, muitas vezes, ele é colocado à margem do processo. Para ela, é preciso envolver o aluno no processo avaliativo, trazendo o olhar deste para junto ao do professor. Sobre a função da avaliação, a autora afirma ainda que:

 

Avaliar (…) tem a função mais ampla de coletar informações de forma sistemática, para tomar decisões; informações sobre a prática para a prática, (…) um processo dinâmico, contínuo (…) para mudar quando necessário, para reverter, para reconsiderar, para redimensionar a ação e sua direção. (op.cit., p.123)

 

 

Os exames e testes de avaliação, em geral, têm causado impacto nos processos educacionais, sobre os seus participantes e sobre os produtos do ensino-aprendizagem; de acordo com Scaramucci (2004, p.203), este efeito tem sido conhecido como “efeito retroativo”. São impactos causados semelhantemente, como no Brasil, ao exame de vestibular, em que, segundo educadores, o ensino médio teve um desvio muito grande por conta deste.

A respeito do efeito retroativo, Bachman and Palmer (1996) completam:

Entender melhor o conceito de efeito retroativo pressupõe compreender os mecanismos operantes na relação entre ensino-aprendizagem e avaliação que (…) é muito mais complexa do que apenas a influência de um teste no ensino e na aprendizagem. O impacto teria (…) de ser avaliado com referência às variáveis, objetivos e valores da sociedade, do sistema educacional em que é usado, assim como dos resultados potenciais de seu uso. (apud SCARAMUCCI, 2004, p.204-205).

 

Este efeito pode ter seus reflexos em cursos de formação de professores, como é o caso de um dos contextos observados, mostrando se a abordagem teórica está sendo suficiente tanto à formação de alunos que serão professores futuramente como à formação de alunos que apenas querem conhecer e saber mais sobre determinada língua estrangeira, no caso do curso de idiomas. O efeito retroativo pode auxiliar na reflexão do uso da teoria implementada em sala de aula e levar o professor a observar se esta

corresponde ou não às necessidades emergentes dos alunos.

Além de se entender todo o processo que permeia a avaliação, é preciso que alguns conceitos teóricos sobre ensino comunicativo sejam retomados.  Widdowson (1991) apresenta a abordagem comunicativa como aquela que está voltada para o processo, no qual o conteúdo lingüístico do curso é selecionado não porque é representativo para que o aluno venha lidar melhor com a língua ao final do curso, mas porque ele pode ativar estratégias de aprendizagem durante todo o curso, ou seja, durante o processo de ensino/ aprendizagem da língua alvo.

 

Muitos já vêem o próprio processo como uma avaliação, revelando o que diz Hoffmann (1991), a ação avaliativa deve ser reflexiva e desafiadora, em termos de elucidar, contribuir e favorecer a troca de idéias entre os alunos.

 

 

 

 Ruth

 

 

 

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